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Novas Cartas Portuguesas

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«Reescrevendo, pois, as conhecidas cartas seiscentistas da freira portuguesa, Novas Cartas Portuguesas afirma-se como um libelo contra a ideologia vigente no período pré-25 de Abril (denunciando a guerra colonial, o sistema judicial, a emigração, a violência, a situação das mulheres), revestindo-se de uma invulgar originalidade e actualidade, do ponto de vista literário e «Reescrevendo, pois, as conhecidas cartas seiscentistas da freira portuguesa, Novas Cartas Portuguesas afirma-se como um libelo contra a ideologia vigente no período pré-25 de Abril (denunciando a guerra colonial, o sistema judicial, a emigração, a violência, a situação das mulheres), revestindo-se de uma invulgar originalidade e actualidade, do ponto de vista literário e social. Comprova-o o facto de poder ser hoje lido à luz das mais recentes teorias feministas (ou emergentes dos Estudos Feministas, como a teoria queer), uma vez que resiste à catalogação ao desmantelar as fronteiras entre os géneros narrativo, poético e epistolar, empurrando os limites até pontos de fusão.» Ana Luísa Amaral in «Breve Introdução»


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«Reescrevendo, pois, as conhecidas cartas seiscentistas da freira portuguesa, Novas Cartas Portuguesas afirma-se como um libelo contra a ideologia vigente no período pré-25 de Abril (denunciando a guerra colonial, o sistema judicial, a emigração, a violência, a situação das mulheres), revestindo-se de uma invulgar originalidade e actualidade, do ponto de vista literário e «Reescrevendo, pois, as conhecidas cartas seiscentistas da freira portuguesa, Novas Cartas Portuguesas afirma-se como um libelo contra a ideologia vigente no período pré-25 de Abril (denunciando a guerra colonial, o sistema judicial, a emigração, a violência, a situação das mulheres), revestindo-se de uma invulgar originalidade e actualidade, do ponto de vista literário e social. Comprova-o o facto de poder ser hoje lido à luz das mais recentes teorias feministas (ou emergentes dos Estudos Feministas, como a teoria queer), uma vez que resiste à catalogação ao desmantelar as fronteiras entre os géneros narrativo, poético e epistolar, empurrando os limites até pontos de fusão.» Ana Luísa Amaral in «Breve Introdução»

30 review for Novas Cartas Portuguesas

  1. 4 out of 5

    Carolina

    Este é o livro mais importante da literatura portuguesa. Podem dizer: “E então Os Lusíadas? O Livro do Desassossego? O Memorial do Convento? Etc., etc., etc.”. E eu repito, este é o mais importante. Nesta review tentarei justificar a minha opinião. Não espero que muitos concordem com ela, apenas que sintam curiosidade de ir ler esta obra. A primeira razão para este livro ser tão importante é precisamente o estar tão esquecido. Não se compreende que uma obra com esta significância histórica se en Este é o livro mais importante da literatura portuguesa. Podem dizer: “E então Os Lusíadas? O Livro do Desassossego? O Memorial do Convento? Etc., etc., etc.”. E eu repito, este é o mais importante. Nesta review tentarei justificar a minha opinião. Não espero que muitos concordem com ela, apenas que sintam curiosidade de ir ler esta obra. A primeira razão para este livro ser tão importante é precisamente o estar tão esquecido. Não se compreende que uma obra com esta significância histórica se encontre ausente do cânone literário português a não ser que este mesmo facto seja também um sintoma do problema que ela própria denuncia. Digo que está ausente porque perguntei a uma colega da variante de Português da Universidade de Coimbra se tinha dado esta obra durante a sua licenciatura, ao que ela me respondeu que nem nunca tinha ouvido falar dela. A quem se encontre em situação semelhante, esta obra foi redigida em 1971 por um trio de mulheres que a história designaria de “Três Marias”. Com temas que vão desde o papel das mulheres na sociedade, a sua sexualidade, a guerra colonial e a emigração, é escusado dizer que, ainda em período de ditadura, estas suas cartas as colocaram em maus lençóis. Quando sujeitas a interrogatório, as Três Marias recusaram revelar a autoria dos “piores” textos, isto é, os mais eróticos, e as três poderiam ter sido condenadas não fosse a eventual Revolução dos Cravos. Durante o seu período de julgamento, o seu caso foi noticiado internacionalmente, tendo nomes como Simone de Beauvoir, Doris Lessing, Iris Murdoch, Christiane Rochefort, Stephen Spender e Marguerite Duras vindo em defesa pública da sua libertação. Os textos aqui compilados surgem em várias formas: cartas, apontamentos, poemas e até construções textuais de índole experimental. As cruzadas são variadas, sendo dada particular atenção às várias maneiras de subjugação da mulher, seja esta por meio do papel para ela destinado ou pela violência a que ela é sujeita. É também reivindicada a agência da mulher e esboçadas questões relativamente a como se poderá desenhar uma identidade da mulher que tome controlo do seu próprio destino. E mais complexo ainda: com que se parece uma relação equilibrada entre mulher e homem, sem que nem um nem outro seja consumido ou reduzido ao objecto da acção? Este é também um livro importante para além das fronteiras portuguesas. O desnível entre sexos é um problema que abraça a humanidade na sua inteireza e que, até hoje, ainda não encontrou respostas ou soluções. Amiúde, não encontra ainda sequer as questões. E porquê mais importante que os livros que citei acima? Porque em vez de conduzir as suas buscas identitárias no passado remoto que só nos diz nós quando pensamos de cor trá-las para um presente e futuro onde nos tentamos reconstruir inteiros e não apenas às metades. Só seremos portugueses quando formos também portuguesas. Este livro lembra-nos disto, talvez por isso ele próprio tenha ficado esquecido nos programas de Literatura Portuguesa.

  2. 4 out of 5

    Ana

    Estou demasiado cansada para uma leitura tão, tão desafiante. Houve partes que não consegui, de maneira nenhuma, decifrar... Reconheço o mérito destas 3 Marias, destas "três aranhas astuciosas", faço-lhes uma vénia por tudo o que fizeram, lutaram e escreveram sobre o que é ser mulher, fêmea, mas o estilo de várias partes destas cartas é demasiado entretecido para muitos leitores o entendam e absorvam. NOTA - 07/10 Obra lida para o projeto #lerastrêsMarias Opinião completa no meu cantinho: https:// Estou demasiado cansada para uma leitura tão, tão desafiante. Houve partes que não consegui, de maneira nenhuma, decifrar... Reconheço o mérito destas 3 Marias, destas "três aranhas astuciosas", faço-lhes uma vénia por tudo o que fizeram, lutaram e escreveram sobre o que é ser mulher, fêmea, mas o estilo de várias partes destas cartas é demasiado entretecido para muitos leitores o entendam e absorvam. NOTA - 07/10 Obra lida para o projeto #lerastrêsMarias Opinião completa no meu cantinho: https://www.youtube.com/watch?v=CruMm...

  3. 4 out of 5

    Daniel

    «Mas o que pode a literatura? Ou antes: o que podem as palavras?» (Terceira Carta V) Há uns meses veio parar-me às mãos um exemplar da primeira edição de Novas Cartas Portuguesas, o livro maldito escrito por Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, apreendido horas depois da sua publicação em 1972, e que gerou movimentos de apoio feministas pela Europa e América; um dos livros portugueses mais traduzidos no estrangeiro sem reedição em Portugal até 1998, 25 anos depois. Ass «Mas o que pode a literatura? Ou antes: o que podem as palavras?» (Terceira Carta V) Há uns meses veio parar-me às mãos um exemplar da primeira edição de Novas Cartas Portuguesas, o livro maldito escrito por Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, apreendido horas depois da sua publicação em 1972, e que gerou movimentos de apoio feministas pela Europa e América; um dos livros portugueses mais traduzidos no estrangeiro sem reedição em Portugal até 1998, 25 anos depois. Assume-se hoje que a mulher portuguesa não é já Mariana, freira resgatada das Cartas Portuguesas publicadas no século XVII aqui feita símbolo pelas Três Marias. Infelizmente, onde cresci, estes textos seriam a mesma ofensa moral que granjeou às autoras um processo judicial durante o Estado Novo, pelo conteúdo obsceno e pornográfico. Além da atualidade transversal que retêm, em temas mais do que o feminismo, as Novas Cartas Portuguesas são um regalo literário, um sistemático quebrar de barreiras temáticas e linguísticas. Leiam todos!

  4. 5 out of 5

    Diana

    "A repressão perfeita é a que não é sentida por quem a sofre, a que é assumida, ao longo duma sábia educação, por tal forma que os mecanismos de repressão passam a estar no próprio indivíduo, e que este retira daí as suas próprias satisfações. E se acaso a mulher percebe a sua servidão, e a rejeita, como, a quem, identificar-se? Onde reaprender a ser, onde reinventar o modelo, o papel, a imagem, o gesto e a palavra quotidianos, a aceitação e o amor dos outros, e os sinais de aceitação e amor?" "A repressão perfeita é a que não é sentida por quem a sofre, a que é assumida, ao longo duma sábia educação, por tal forma que os mecanismos de repressão passam a estar no próprio indivíduo, e que este retira daí as suas próprias satisfações. E se acaso a mulher percebe a sua servidão, e a rejeita, como, a quem, identificar-se? Onde reaprender a ser, onde reinventar o modelo, o papel, a imagem, o gesto e a palavra quotidianos, a aceitação e o amor dos outros, e os sinais de aceitação e amor?"

  5. 4 out of 5

    Rosa Ramôa

    Segredo Não contes do meu vestido que tiro pela cabeça nem que corro os cortinados para uma sombra mais espessa Deixa que feche o anel em redor do teu pescoço com as minhas longas pernas e a sombra do meu poço Não contes do meu novelo nem da roca de fiar nem o que faço com eles a fim de te ouvir gritar (Maria Teresa Horta)

  6. 5 out of 5

    Joana

    "Eu queria hoje louvar a solidão mas com sossego, sem vo-la deitar em cara, que só no colo. Como são belas as coisas quando ninguém se espera hoje para dizer-nos como. Como o mundo está intacto se não nos morremos da ausência de alguém. Mas quem se ri se não se sabe único, preferido, quem se basta e nisso persevera, quantos conhecem ao menos umas horas esta glória de ninguém ter ou carecer algo a suster-nos pela mão e no entanto andarmos, como a escrita anda, como anda o corpo que a mão sabedora "Eu queria hoje louvar a solidão mas com sossego, sem vo-la deitar em cara, que só no colo. Como são belas as coisas quando ninguém se espera hoje para dizer-nos como. Como o mundo está intacto se não nos morremos da ausência de alguém. Mas quem se ri se não se sabe único, preferido, quem se basta e nisso persevera, quantos conhecem ao menos umas horas esta glória de ninguém ter ou carecer algo a suster-nos pela mão e no entanto andarmos, como a escrita anda, como anda o corpo que a mão sabedora sustenta, a mão própria - quantas mulheres, quantos homens se deleitaram já do que podem fazer unicamente somente? Quantas mulheres? Porque a criação que temos é a de podengas, perdigueiras lambidas - ser por e ser para estacar quando se encontra."

  7. 5 out of 5

    Cat (cat-thecatlady)

    os temas e contexto histórico deste livro só por si o tornam leitura obrigatória. é importante refletir como as coisas talvez não tenham evoluído o que deviam, ou como deviam. porém, esta leitura relembrou-me porque não leio tantos autores portugueses como gostaria. talvez esteja a generalizar mas existe uma forma muito pouco clara e compreensível que associo à escrita de autores nacionais. parece que o quão mais difícil de seguir for, melhor. muitas vezes, a mensagem perde-se ou não é tão bem p os temas e contexto histórico deste livro só por si o tornam leitura obrigatória. é importante refletir como as coisas talvez não tenham evoluído o que deviam, ou como deviam. porém, esta leitura relembrou-me porque não leio tantos autores portugueses como gostaria. talvez esteja a generalizar mas existe uma forma muito pouco clara e compreensível que associo à escrita de autores nacionais. parece que o quão mais difícil de seguir for, melhor. muitas vezes, a mensagem perde-se ou não é tão bem passada como poderia, pois a forma de escrita aliena muito o leitor. é uma pena que tenha sentido tanto isso com este livro e talvez seja por isso que ele é tão pouco reconhecido e falado (fora dos círculos e interesses feministas), apesar de toda a sua importância e relevância.

  8. 5 out of 5

    Oona

    http://www.postroadmag.com/25/recomme... http://www.postroadmag.com/25/recomme...

  9. 5 out of 5

    Jessica Lima

    Uma leitura densa. Porém, com o apoio das notas intertextuais no final, é possível desfrutar e compreender a obra. Não consegui pousar o livro até terminar. (In)felizmente tão actual em 2021, imagino que choque ainda muitas cabecinhas.

  10. 5 out of 5

    Rafaela

    As 5 estrelas são mais emocionais do que objectivas. Não há dúvida nenhuma de que esta obra literária é notável, a nível internacional, mas no panorama português em particular. Um projecto arriscado de três mulheres que desafiou todas as regras num Portugal pré-25 de Abril. Só por esse facto mereceu as 5 estrelas. Mas também pela história em si que é contada. A paixão de Mariana Alcoforado por um general francês é revista pelas três autoras que exploram como ninguém a visão da mulher do amor, do e As 5 estrelas são mais emocionais do que objectivas. Não há dúvida nenhuma de que esta obra literária é notável, a nível internacional, mas no panorama português em particular. Um projecto arriscado de três mulheres que desafiou todas as regras num Portugal pré-25 de Abril. Só por esse facto mereceu as 5 estrelas. Mas também pela história em si que é contada. A paixão de Mariana Alcoforado por um general francês é revista pelas três autoras que exploram como ninguém a visão da mulher do amor, do erotismo e da sua condição político-social. De forma objectiva, teria dado 4 estrelas, pois algumas partes do livro são confusas e difíceis de ler. Destaco, principalmente, os poemas que raramente conseguia perceber, bem como alguma da prosa mais elaborada e lírica (?). Não é uma leitura leve nem fácil. Os textos mais directos e crus foram os que me conquistaram e deram o mote para querer descobrir a obra de cada uma das Marias. Por fim, queria destacar que li a edição mais recente das NCP, que tem umas excelentes notas de final de capítulo, sem as quais não teria conseguido aproveitar a grandeza desta obra no seu todo.

  11. 4 out of 5

    V. Míchkina

    Trata-se de uma obra escrita por três autoras — Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa — e que representa vários planos de ruptura: ruptura com imagens de género (e a ruptura sobretudo com a noção da mulher enquanto ser submisso e dependente, quer essa submissão/dependência fosse de ordem económica, emocional, física, sexual), ruptura com a noção de género literário, oscilando entre a poesia, prosa e o romance epistolar, e ruptura com a própria questão da autoria: um liv Trata-se de uma obra escrita por três autoras — Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa — e que representa vários planos de ruptura: ruptura com imagens de género (e a ruptura sobretudo com a noção da mulher enquanto ser submisso e dependente, quer essa submissão/dependência fosse de ordem económica, emocional, física, sexual), ruptura com a noção de género literário, oscilando entre a poesia, prosa e o romance epistolar, e ruptura com a própria questão da autoria: um livro onde se esbatem as fronteiras e se unificam os saberes, os ritmos, as interioridades de três pessoas, recusando-se o princípio irrevogável da existência/necessidade de um(a) autor(a)... (pequeno apontamento escrito a 25.04.2020, antes da conclusão da leitura do livro)

  12. 5 out of 5

    Eglathren

    Que viagem; morri e voltei rejuvenescida!

  13. 5 out of 5

    Sonia Teles

    Este livro começou a ser escrito em 1971 e foi publicada em Abril de 1972. As autoras partiram do romance epistolar "Lettres Portugaises" do séc. XVII cuja autoria é polémica porque foi atribuída a Mariana Alcoforado, freira enclausurada em Beja, mas também a um autor francês. O livro "Cartas Portuguesas" é um conjunto de 5 cartas de amor supostamente enviadas pela freira Mariana Alcoforado a um oficial francês. Tendo este amor proibido como ponto de partida, as "Três Marias" elaboraram este liv Este livro começou a ser escrito em 1971 e foi publicada em Abril de 1972. As autoras partiram do romance epistolar "Lettres Portugaises" do séc. XVII cuja autoria é polémica porque foi atribuída a Mariana Alcoforado, freira enclausurada em Beja, mas também a um autor francês. O livro "Cartas Portuguesas" é um conjunto de 5 cartas de amor supostamente enviadas pela freira Mariana Alcoforado a um oficial francês. Tendo este amor proibido como ponto de partida, as "Três Marias" elaboraram este livro a 6 mãos que albergou uma série de estilos literários como sejam o epistolar, o poético e o romance. A meu ver, o livro pretendia chamar a atenção para a condição feminina na época da ditadura fascista que se vivia em Portugal. As autoras abordaram, em grande medida, a opressão da mulher à vontade do marido e da família mas também escreveram sobre a sexualidade, o prazer feminino e até afloraram, levemente, a orientação sexual. As "Três Marias" não deixaram de abordar outros problemas que afectavam tanto as mulheres como os homens nos anos 70 como, por exemplo, a guerra colonial e a emigração. A direcção literária do obra foi de outra mulher corajosa, Natália Correia, que se recusou a fazer cortes naquilo que as autoras escreveram.  Como resultado, a primeira edição foi apreendida e destruída em 3 dias e as autoras foram acusadas de "pornografia e atentado ao pudor". Nos interrogatórios foram instadas no sentido de identificarem quem tinha escrito o quê. Nunca o revelaram até hoje, passados 50 anos e quando só resta uma das autoras viva. Embora tenham ido a tribunal acabaram por não ser julgadas graças à Revolução dos Cravos que acabou com a ditadura e interrompeu o processo. O processo judicial valeu-lhes a solidariedade de inúmeros intelectuais portugueses e estrangeiros bem como de inúmeras feministas. Aliás, "Novas Cartas Portuguesas" é considerado, actualmente, um dos primeiros manifestos feministas. Na minha opinião, este não é um livro fácil de ler, antes pelo contrário. Esta edição é uma edição anotada o que ajuda imenso porque há certos pormenores que só se entendem se compreendermos as referências políticas e literárias bem como o contexto histórico em que a obra foi dada ao prelo. Nalgumas linhas encontramos, realmente, referências sexuais mas que fazem sentido no âmbito da "história" que as autoras queriam contar. Percebo que a publicação deste livro tenha sido um escândalo, não só pela abordagem sexual mas porque pretendia romper com a ordem estabelecida na sociedade portuguesa. Infelizmente, considero certas passagens muito actuais e acredito que se a obra fosse publicada hoje constituíria, novamente, um escândalo. Chegámos à 3a década do séc. XXI mas as mentalidades retrógradas subsistem. As circunstâncias mudaram mas ainda há muito por fazer para se atingir a igualdade entre homens e mulheres. Este é um livro que faz pensar. E hoje em dia há tanta preguiça em pôr os neurónios a funcionar, não é verdade? Mas fazer pensar é um dos objectivos mais nobres da literatura.

  14. 5 out of 5

    Diana Rodrigues

    Interesse/comoção: 3 Escrita e estrutura: 5 Aprendizagem: 4

  15. 5 out of 5

    Deena Metzger

    Read this when first published in English - 1975. Amazing and essential texts

  16. 5 out of 5

    Inês Gueifão

    “Ninguém me peça, tente, exija, que regresse à clausura dos outros.”

  17. 5 out of 5

    Inês Montenegro

    "O conjunto de cartas, poemas, contos e monólogos são um coro de uma miríade de realides, não ‘apenas’ das autoras, mas também de todas as que fazem representar, notável não apenas pelas histórias e perspectivas, como também pelo reflexo que se encontra no vocabulário e ortografia. Trabalhando também a guerra e o colonialismo, a mulher é a temática principal, levantando-se questionamentos, avaliando-se papéis, lançando ao leitor o perturbante desafio da desconstrução do que o rodeia: ‘Pai’ é sim "O conjunto de cartas, poemas, contos e monólogos são um coro de uma miríade de realides, não ‘apenas’ das autoras, mas também de todas as que fazem representar, notável não apenas pelas histórias e perspectivas, como também pelo reflexo que se encontra no vocabulário e ortografia. Trabalhando também a guerra e o colonialismo, a mulher é a temática principal, levantando-se questionamentos, avaliando-se papéis, lançando ao leitor o perturbante desafio da desconstrução do que o rodeia: ‘Pai’ é simultaneamente um murro no estômago e um dos melhores contos que já tive oportunidade de ler. O porquê não irei desenvolver por se tratar também do tipo de leitura em que o mínimo conhecimento prévio poderá enfraquecer o seu efeito. (...)" Opinião completa em: booktalesblog.wordpress.com/2019/02/1...

  18. 5 out of 5

    Filomena Vitorino

    Este livro não ficou nos meus favoritos, no entanto tem textos muito fortes, sobre a sociedade machista dos anos 70 (e anteriores e posteriores). A mulher vitima de abusos, a mulher que deve servir o seu marido, a mulher que trabalha em empregos que os homens não querem, ganhando menos do que estes, a mulher subjugada à figura patriacal pai-marido-irmão, a mulher que não deve ter prazer, que não pode ser dona do seu corpo, que é condenada por fazer um aborto (sem que se procurem os pais dessas c Este livro não ficou nos meus favoritos, no entanto tem textos muito fortes, sobre a sociedade machista dos anos 70 (e anteriores e posteriores). A mulher vitima de abusos, a mulher que deve servir o seu marido, a mulher que trabalha em empregos que os homens não querem, ganhando menos do que estes, a mulher subjugada à figura patriacal pai-marido-irmão, a mulher que não deve ter prazer, que não pode ser dona do seu corpo, que é condenada por fazer um aborto (sem que se procurem os pais dessas crianças por nascer). Enfim, tantos exemplos.... No entanto, tem também textos que considero de difícil compreensão e que no meu entender só estragam a obra, tornando-a inacessível ao comum dos leitores. Pena, porque se perdem textos de grande valor histórico-feminista.

  19. 5 out of 5

    Diana

    Um grande favorito, não só deste ano. Tinha muito medo de ler este livro. Tinha muito medo do que estava lá escrito; medo de uma realidade portuguesa que podia ter sido minha e que não o foi apenas por privilégio temporal. É um livro único, escrito por três mulheres, sobre mulheres e sobre a vida das mulheres na ditadura. Em cartas, poemas, ensaios, em constantes revoluções. É um livro lindo. um dos meus favoritos de 2016 Um grande favorito, não só deste ano. Tinha muito medo de ler este livro. Tinha muito medo do que estava lá escrito; medo de uma realidade portuguesa que podia ter sido minha e que não o foi apenas por privilégio temporal. É um livro único, escrito por três mulheres, sobre mulheres e sobre a vida das mulheres na ditadura. Em cartas, poemas, ensaios, em constantes revoluções. É um livro lindo. um dos meus favoritos de 2016

  20. 5 out of 5

    Bruno

    Começa num ritmo sincopado e espalhado por divagações que oscilam entre o concreto e o etéreo mas depois ganha corpo e flui com muito maior facilidade. Quase no final tem um meta-texto que fala exactamente disto, o que lhe dá um toque ainda mais especial. Gostava de ter visto o sorriso na cara da Natalia Correia quando leu este elemento literário histórico... e a cara de ultrapassados dos censores a sentirem a mudança sem a conseguirem segurar.

  21. 4 out of 5

    Salo Birra

    Essential read.

  22. 4 out of 5

    Juliana Senra

    Tão importante

  23. 4 out of 5

    Sara Barbosa

    Um livro que se tem de ler. Ponto.

  24. 4 out of 5

    NunoAvelar

    Livro difícil de classificar, visto que as próprias autoras não o catalogaram como romance, ensaio ou manifesto, a própria estruturação do livro é o rompimento com a lógica tradicional de escrita (podemos encontrar cartas, ensaios, poemas, manifestos de vida; escritos em francês). Livro sujeito censura do Estado Novo, levantou vários problemas às autoras, mas também permitiu visibilidade internacional para os problemas das mulheres, que também têm voz e sabem falar. Livro que marcou o pensamento Livro difícil de classificar, visto que as próprias autoras não o catalogaram como romance, ensaio ou manifesto, a própria estruturação do livro é o rompimento com a lógica tradicional de escrita (podemos encontrar cartas, ensaios, poemas, manifestos de vida; escritos em francês). Livro sujeito censura do Estado Novo, levantou vários problemas às autoras, mas também permitiu visibilidade internacional para os problemas das mulheres, que também têm voz e sabem falar. Livro que marcou o pensamento feminista português , mas que também assumiu um papel central na queda da ditadura dirigida por Marcelo Caetano, uma figura apenas superficialmente mais liberal que o seu antecessor António de Oliveira Salazar. O livro revelou ao mundo a existência de situações discriminatórias agudas em Portugal, relacionadas com a repressão ditatorial, o poder do patriarcado católico e a condição da mulher (casamento, maternidade, sexualidade feminina). NCP denunciou também as injustiças da guerra colonial e as realidades dos portugueses enquanto colonialistas em África, emigrantes, refugiados ou exilados no mundo, e “retornados” em Portugal. Tem pontos altos e baixos; prosa nada a apontar, muitas vezes poética e complexa; Não gostei da linha temporal em que são transmitidas as cartas, contribuindo para maior confusão na linha de pensamento.

  25. 4 out of 5

    Iris Cabaça

    Uma das melhores obras para se compreender verdadeiramente a mentalidade do povo português pré-25 de abril sobre diversos assuntos, como, o papel da mulher, sexualidade, a guerra no ultramar, entre outros. Além de falar em momentos antes da revolução dos cravos, também faz algumas referências à história de Portugal e a autores(as) relevantes na época ou antes. Deveria ser um livro obrigatório na educação nos dias de hoje porque continua a ser bastante relevante e é uma parte da história do país Uma das melhores obras para se compreender verdadeiramente a mentalidade do povo português pré-25 de abril sobre diversos assuntos, como, o papel da mulher, sexualidade, a guerra no ultramar, entre outros. Além de falar em momentos antes da revolução dos cravos, também faz algumas referências à história de Portugal e a autores(as) relevantes na época ou antes. Deveria ser um livro obrigatório na educação nos dias de hoje porque continua a ser bastante relevante e é uma parte da história do país que precisa de ser abordada mais vezes.

  26. 4 out of 5

    Cristiana Martins

    Um dos melhores livros que li este ano! Um livro para todos e todas! Obrigatória na literatura portuguesa e obrigatório na literatura feminista. Como diz Clara Não, ilustradora: «Um marco histórico do feminismo português, lançado antes do 25 de Abril. Fala sobre a sexualidade feminina sem a turvação da moralidade e do recato pedido à mulher. Fez barulho e mostrou que não podemos ficar caladas.» 5 estrelas quantas vezes quiserem! Esta edição, a que foi adicionada a organização e anotação de Ana Luís Um dos melhores livros que li este ano! Um livro para todos e todas! Obrigatória na literatura portuguesa e obrigatório na literatura feminista. Como diz Clara Não, ilustradora: «Um marco histórico do feminismo português, lançado antes do 25 de Abril. Fala sobre a sexualidade feminina sem a turvação da moralidade e do recato pedido à mulher. Fez barulho e mostrou que não podemos ficar caladas.» 5 estrelas quantas vezes quiserem! Esta edição, a que foi adicionada a organização e anotação de Ana Luísa Amaral, ganha muitos pontos extra, em especial na contextualização da obra, da linguagem e da inter-textualização com tantos termos e mesmo outros textos. Um extra claramente obrigatório para quem inicia a leitura deste livro.

  27. 5 out of 5

    Beatriz

    Este livro devia ser lido por todos os portugueses! Emocionante e relevante, arranca-nos o coração e a mente da melhor maneira possível. Relata o tratamento das mulheres durante os estado novo e outros tópicos tabo, na época e até agora. Tudo isto com uma lírica maravilhosa.

  28. 5 out of 5

    oceana

    obra inqualificável (literalmente) e, infelizmente, por vezes, indecifrável. mas tirando essas cartas mais “enigmáticas”, NCP dá, contraditoriamente, gosto de ler pelos retratos revoltantes que nos oferece, num portugal pequeno e conservador, que ainda hoje, mais subtilmente ou não, o é.

  29. 4 out of 5

    Tita

    Vídeo de opinião aqui Vídeo de opinião aqui

  30. 5 out of 5

    Andretenente

    Não lúdico - premente. Sem final feliz - fulcral. Uma leitura que devia ser obrigatória. Necessário.

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