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Myra

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Esqueçam os rodriguinhos, as palavras doces, adjectivos, advérbios e quejando floreado rebarbativo e redundante mais próprio para encher chouriço pretensamente literato. Não, a literatura não se alimenta disso e Maria Velho da Costa tem mais o que fazer (e escrever) do que perder tempo a debitar palavreado; certeira e assertiva, ela vai directo ao osso das palavras, ao cor Esqueçam os rodriguinhos, as palavras doces, adjectivos, advérbios e quejando floreado rebarbativo e redundante mais próprio para encher chouriço pretensamente literato. Não, a literatura não se alimenta disso e Maria Velho da Costa tem mais o que fazer (e escrever) do que perder tempo a debitar palavreado; certeira e assertiva, ela vai directo ao osso das palavras, ao coração das trevas do mundo que retrata à sua volta. Aqui, no respigar da babugem vem à tona dos dias andados pelas suas personagens, cada frase tem o seu peso certo, o seu sentido, cada palavra assume a medida exacta (o neologismo «poderófilos» é brilhante naquilo que encerra de crivo crítico), cada página é um assombro de bem escrever, reservando-se ainda lugar para uma série de pequenas homenagens da autora a alguns clássicos da literatura. O tempo deste romance, como já se adivinha, é o presente. O seu ritmo, o de um mergulho voraz nas trevas da crueldade. À laia de road-book (podendo também dar um excelente road-movie), esta é a triste história de uma jovem emigrante do Leste, como que do nada (náufraga?) surgida nas areias da portuguesa Caparica. Myra é um ser sem destino (ou com o destino traçado em cruz), vagueando pelos dias rumo ao sul – como uma criança perdida, e que sem saber porquê caminha em direcção ao Sol, também esta personagem (no fundo uma criança, uma adolescente) avança para a luz que, sempre ouviu dizer, espera os viajantes a Sul. Só que Portugal, o Sul que percorre e procura, está longe de ser um lugar ao Sol, longe de ser o Sul ansiado. No seu percurso, que mais se assemelha a um calvário, Myra faz-se acompanhar por um cão. Não um cão qualquer, mas um cão de combate, um cão de matar, treinado para o sangue e para o medo. Porém, nas suas mãos e carícias o animal torna-se dócil, amigo, companheiro de segredos, fiel secretários das lágrimas e dos desejos. Às tantas Myra julgar encontrar o seu Sul, julga conhecer o amor. Mas os seus passos têm o destino da miséria – há seres a quem a vida parece negada à nascença. Acelerando para o amor, Myra reencontrará o ódio e a desdita. Tal como Rambo, o cão que também ele parece ter a morte na linha do existir, o cão que nos diz que pior do que ele, um cão dito de matar, é mesmo o homem, esse, sim, verdadeiro animal de matar. «Myra» é, pois, um livro de procura, mas um livro de desencanto. É um livro sobre nós, sobre o país que somos, um país que desaprendeu de olhar ao outro, um país atravessado pela marginalidade, pela impunidade e pelo desnorte. É sobre um Sul que deixou de o ser e que, cada vez mais, parece ser apenas um território «accionista do Sol», «linda vista para o mar», «remorso de todos nós» que o vemos e vivemos «com horror mal disfarçado».


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Esqueçam os rodriguinhos, as palavras doces, adjectivos, advérbios e quejando floreado rebarbativo e redundante mais próprio para encher chouriço pretensamente literato. Não, a literatura não se alimenta disso e Maria Velho da Costa tem mais o que fazer (e escrever) do que perder tempo a debitar palavreado; certeira e assertiva, ela vai directo ao osso das palavras, ao cor Esqueçam os rodriguinhos, as palavras doces, adjectivos, advérbios e quejando floreado rebarbativo e redundante mais próprio para encher chouriço pretensamente literato. Não, a literatura não se alimenta disso e Maria Velho da Costa tem mais o que fazer (e escrever) do que perder tempo a debitar palavreado; certeira e assertiva, ela vai directo ao osso das palavras, ao coração das trevas do mundo que retrata à sua volta. Aqui, no respigar da babugem vem à tona dos dias andados pelas suas personagens, cada frase tem o seu peso certo, o seu sentido, cada palavra assume a medida exacta (o neologismo «poderófilos» é brilhante naquilo que encerra de crivo crítico), cada página é um assombro de bem escrever, reservando-se ainda lugar para uma série de pequenas homenagens da autora a alguns clássicos da literatura. O tempo deste romance, como já se adivinha, é o presente. O seu ritmo, o de um mergulho voraz nas trevas da crueldade. À laia de road-book (podendo também dar um excelente road-movie), esta é a triste história de uma jovem emigrante do Leste, como que do nada (náufraga?) surgida nas areias da portuguesa Caparica. Myra é um ser sem destino (ou com o destino traçado em cruz), vagueando pelos dias rumo ao sul – como uma criança perdida, e que sem saber porquê caminha em direcção ao Sol, também esta personagem (no fundo uma criança, uma adolescente) avança para a luz que, sempre ouviu dizer, espera os viajantes a Sul. Só que Portugal, o Sul que percorre e procura, está longe de ser um lugar ao Sol, longe de ser o Sul ansiado. No seu percurso, que mais se assemelha a um calvário, Myra faz-se acompanhar por um cão. Não um cão qualquer, mas um cão de combate, um cão de matar, treinado para o sangue e para o medo. Porém, nas suas mãos e carícias o animal torna-se dócil, amigo, companheiro de segredos, fiel secretários das lágrimas e dos desejos. Às tantas Myra julgar encontrar o seu Sul, julga conhecer o amor. Mas os seus passos têm o destino da miséria – há seres a quem a vida parece negada à nascença. Acelerando para o amor, Myra reencontrará o ódio e a desdita. Tal como Rambo, o cão que também ele parece ter a morte na linha do existir, o cão que nos diz que pior do que ele, um cão dito de matar, é mesmo o homem, esse, sim, verdadeiro animal de matar. «Myra» é, pois, um livro de procura, mas um livro de desencanto. É um livro sobre nós, sobre o país que somos, um país que desaprendeu de olhar ao outro, um país atravessado pela marginalidade, pela impunidade e pelo desnorte. É sobre um Sul que deixou de o ser e que, cada vez mais, parece ser apenas um território «accionista do Sol», «linda vista para o mar», «remorso de todos nós» que o vemos e vivemos «com horror mal disfarçado».

30 review for Myra

  1. 4 out of 5

    João Carlos

    As pinturas - Ilda David Maria Velho da Costa (1938 - 2020) Maria Velho da Costa faleceu ontem - 23 de Maio de 2020 - fica entre outras obras literárias - "Myra" - um dos melhores livros de ficção portuguesa que li. Associo a escritora Maria Velho da Costa (1938 - 2020) à obra literária Novas Cartas Portuguesas publicada pelas três Marias - Maria Isabel Barreno (1939 – 2016) e Maria Teresa Horta (n. 1937) – uma das obras mais emblemáticas da literatura portuguesa, injustamente esquecida (a ler As pinturas - Ilda David Maria Velho da Costa (1938 - 2020) Maria Velho da Costa faleceu ontem - 23 de Maio de 2020 - fica entre outras obras literárias - "Myra" - um dos melhores livros de ficção portuguesa que li. Associo a escritora Maria Velho da Costa (1938 - 2020) à obra literária Novas Cartas Portuguesas publicada pelas três Marias - Maria Isabel Barreno (1939 – 2016) e Maria Teresa Horta (n. 1937) – uma das obras mais emblemáticas da literatura portuguesa, injustamente esquecida (a ler em 2017), publicada em 1971, três anos antes da Revolução dos Cravos ou do 25 de Abril, que revelou muito da situação política ditatorial e da condição da mulher portuguesa; um livro que foi considerado um marco na evolução do pensamento feminista e que gerou enorme controvérsia na época. ”Myra atravessou os carris desconjuntados em direcção ao mar. Cresciam ervas e tojos e havia chorões apodrecidos nas juntas e as traves e ferros estavam negros das marés vivas sujas de crude. Corria contra o vento, procurando saltar as arestas de cascalho e os cacos de vidro, pulando alto a entreter o frio e o seu desgosto. O céu estava baixo e muito escuro.” (Pág. 9) A protagonista é Myra uma menina de origem russa, filha de emigrantes pobres, onde a dureza e a repressão familiar são uma constante, mesmo que seja a melhor aluna da escola; que acaba por salvar um cão de nome Rambo, um temível Pit Bull treinado para matar. É nesta união improvável que ”Myra” se desenvolve, um romance em movimento “on-the-road” com os cenários e os espaços (sobretudo, as casas – a Casa Grande e a Casa Branca/Valparaíso) a desfilarem e a coexistirem com um conjunto de personagens secundárias inesquecíveis, homens e mulheres – de várias nacionalidades - diferenciados no estrato social e nos comportamentos, onde existem e permanecem as cicatrizes da miséria e do horror humano; num retrato actual de Portugal. A tensão dramática e o suspense em ”Myra” avançam de uma forma comovente, tornando-se numa componente essencial da narrativa, suscitando no leitor anseios e inquietações, um desassossego permanente que nos transporta para a agonia e para a aflição. E no final acabamos esmagados… A escrita e o estilo de Maria Velho da Costa é assombroso, ora erudita ora simples, exercendo, simultaneamente, fascínio e estranheza, num encanto e numa riqueza pouco usual na literatura portuguesa. "Myra" é um romance estranho, obscuro, enigmático, invulgar, notável, brutal... Imperdível… NOTA: Entre a página 17 e a página 32 existem um conjunto de oito pinturas da artista plástica Ilda David (n. 1955) – que também assina a capa – verdadeiramente excepcionais. "O desespero é uma coisa tranquila." (Pág. 197) A capa - Ilda David - Myra e o cão Rambo "O Beijo/The Kiss" (1907 - 1908) - Gustav Klimt (1862 - 1918)

  2. 4 out of 5

    Teresa

    "REALEZA Uma bela manhã, num povo de gente adorável, um homem e uma mulher soberbos gritavam na praça pública: «Amigos, quero que ela seja rainha!» «Quero ser rainha!» Ela ria e tremia. Ele falava de revelação, de prova terminada. Desfaleciam nos braços um do outro. E efectivamente foram reis, por toda uma manhã, quando os véus carminados se ergueram sobre as coisas, e por toda uma tarde, para os lados dos jardins de palmeiras." — Jean-Arthur Rimbaud, Iluminações Maria Velho da Costa ilumina as trev "REALEZA Uma bela manhã, num povo de gente adorável, um homem e uma mulher soberbos gritavam na praça pública: «Amigos, quero que ela seja rainha!» «Quero ser rainha!» Ela ria e tremia. Ele falava de revelação, de prova terminada. Desfaleciam nos braços um do outro. E efectivamente foram reis, por toda uma manhã, quando os véus carminados se ergueram sobre as coisas, e por toda uma tarde, para os lados dos jardins de palmeiras." — Jean-Arthur Rimbaud, Iluminações Maria Velho da Costa ilumina as trevas e embeleza a fealdade. Arrasou os meus olhos de lágrimas e acelerou as batidas do meu coração. Porque não sei encontrar palavras que dignifiquem esta obra, e exprimam fielmente o meu sentir, opto por agradecer a quem me permitiu conhecer Myra: João Barrento Quando li, numa entrevista, que João Barrento considera que Myra é “o melhor romance que a literatura portuguesa produziu no novo milénio”, embora curiosa, fiquei um pouco céptica; porque, por um lado, é pouco provável que João Barrento tenha lido tudo o que nos últimos 16 anos se escreveu em português e, por outro lado, suspeitei ser mais um daqueles livros muito elaborados e que de tão ilegíveis me levam a abandoná-lo nas primeiras páginas. João Carlos Há dias vi passar, por aqui, a opinião do João Carlos que, com as cinco estrelas e as palavras: “Estranho, obscuro, enigmático, invulgar, notável,...”, me fez acreditar em João Barrento. Pedro Teixeira Neves Nesta edição está colado, como sinopse, um magnífico texto do jornalista e escritor Pedro Teixeira Neves. Maria Velho da Costa "Três coisas apenas movem o ser humano - a sobrevivência, a propagação da espécie e a defesa do território. Isto é, a fome, o sexo e o poder." "Não é de dor que se enlouquece, é de não querer lembrar a dor." "A infância é um país mágico donde somos todos expatriados pela percepção da morte, ou da crueldade." "Marcha, Myra, um pé atrás do outro, não penses. Voa. Um pé atrás do outro. Como reses que ninguém abate, nem mortas." "Não tenhas medo, miúda. Em todas as histórias há sempre uma ponta do paraíso, um véu de clemência que estende uma ponta, fugaz que seja."

  3. 4 out of 5

    Maria Ferreira

    "Três coisas apenas movem o ser humano - a sobrevivência, a propagação da espécie e a defesa do território. Isto é, a fome, o sexo e o poder." Myra não é um livro fácil de ler, necessita de uma certa dose de resiliência inicialmente, mas quando se chega a meio, não dá para largar. A autora Maria Velho da Costa, que pereceu recentemente, publicou em 2008 uma história de amor e horror, de sapiência e de jargão, intelectualidade e imbecilidade. Um pequeno livro que, em tão poucas frases, diz uma imen "Três coisas apenas movem o ser humano - a sobrevivência, a propagação da espécie e a defesa do território. Isto é, a fome, o sexo e o poder." Myra não é um livro fácil de ler, necessita de uma certa dose de resiliência inicialmente, mas quando se chega a meio, não dá para largar. A autora Maria Velho da Costa, que pereceu recentemente, publicou em 2008 uma história de amor e horror, de sapiência e de jargão, intelectualidade e imbecilidade. Um pequeno livro que, em tão poucas frases, diz uma imensidão de coisas sobre nós, esfola as nossas emoções: a dor física e psicológica, o medo do obscuro, a ansiedade do encontro com o desconhecido, a desconfiança da bondade humanado, a perda das “nossas pessoas”, a solidão, a raiva e o desespero. Mas também é um livro que desperta o melhor do ser humano, o altruísmo, o amor, o carinho, a proteção, a felicidade, a liberdade, a esperança. Um livro feito de contrastes, opostos que se atraem, o rico e o pobre, o belo e o horrendo, a mediocridade e a valentia, o miserável que explora outros miseráveis para enriquecer, e que estando rico não deixa de ser miserável, o início e o fim. Um fim estranho, mas compreensível, quando se conhece os dois lados da vida, e nos obrigam a viver do lado errado. Um romance que merece ser aplaudido de pé. Um romance que merece ser lido por todos.

  4. 4 out of 5

    Nelson Zagalo

    Sintético e sincrético, num constante jogo de opostos. Uma amálgama discursiva de intenso sabor. Um texto impressivo que segue de muito perto o impressionismo da pintura, no modo como textualmente desfoca o real e o torna menos claro e preciso mas indelével e intenso. Se podemos sentir a história descarrilar a meio caminho, o discurso e a escrita são tão intensos e particulares que fazem desta obra um texto em língua portuguesa obrigatório. “Myra” é provavelmente o romance mais económico que li a Sintético e sincrético, num constante jogo de opostos. Uma amálgama discursiva de intenso sabor. Um texto impressivo que segue de muito perto o impressionismo da pintura, no modo como textualmente desfoca o real e o torna menos claro e preciso mas indelével e intenso. Se podemos sentir a história descarrilar a meio caminho, o discurso e a escrita são tão intensos e particulares que fazem desta obra um texto em língua portuguesa obrigatório. “Myra” é provavelmente o romance mais económico que li até hoje. É tudo tão medido, não existem palavras ao acaso atiradas por entre frases, mas antes cada uma tem um desígnio. Muito é dito em frases curtas, por vezes duas palavras chegam para passar uma imensidão de acontecimentos, um sentir carregado de passado ou um mundo por vir. A autora não se perde em explicações, estamos sempre no presente, no interior da cabeça dos personagens, sejam estes pessoas, cães ou casas, todos falam, mas, e ainda que de forma comedida, quando falam dizem muito sobre o passado e o futuro. Interessante como apesar de tão pouco dizerem, sentimos que estão em diálogo permanente, porque na verdade estão, já que dialogam pensando, enriquecendo assim o discurso, criando deste modo uma obra singular. Todo o desenho da obra é feito seguindo uma lógica geométrica de contrastes e opostos a vários níveis: cultura (alta / baixa), discurso (modernista / realista), trama (etérea / naturalista). Com um mundo representado pelo choque constante de culturas, numa busca pelo sincretismo que vai da alta cultura (a linguagem erudita, rodeada de música de câmara e cinema europeu) à baixa cultura (vernáculo, música pop e cinema de Hollywood); suportado por um discurso pontilhado de fluxo de consciência por entre diálogos claros e expositivos; por sua vez tudo dirigido por uma trama que divide o texto em três momentos, opondo-se os dois primeiros, oníricos, ao último mais naturalista. De certo modo as referências intertextuais marcam toda esta cisão criada: com Pasolini, Eisenstein ou Rimbaud de um lado; Sylvester Stallone, Will Smith, ou séries de televisão, do outro. Não poucas vezes, o que se diz é dito por meio de um título de um filme, de uma fala, ou uma canção, trazendo para dentro da economia de texto uma enorme riqueza de sentidos. O mesmo se dá com as interjeições linguísticas que vão do inglês, francês, russo, ao italiano ou o latim. Tudo isto, enriquecendo não deixa de se tornar a certo ponto repetitivo, matemático, conduzindo a alguma deserção do texto em que estamos inseridos. Cabe aqui interpretação, aliás muita, desde logo porque sendo um texto económico acaba por se aproximar bastante de uma obra minimal o que inevitavelmente produz a necessidade de seguir as pistas deixadas pela autora, mas também por toda a intertextualidade presente. De certo modo, a cabal compreensão do texto só é possível com um estudo mais aprofundado da autora e seu contexto. Depois de ter escrito esta palavras encontrei uma tese de mestrado, de Daniel Damasceno Floquet, completamente dedicada ao estudo das dicotomias em "Myra", no fundo aquilo que aponto acima como geometria de contrastes. Não a li, tentarei ler entretanto para chegar mais fundo na compreensão deste texto que apesar de curto é imensamente rico. Da minha perspectiva, confronta-se aqui o belo, a elaboração cultural, com o grotesco do mundo primário real. Esse confronto atravessa toda a obra, num questionamento da elevação cultural, confrontado com o mantra da vida: “a fome, o sexo e o poder”, e por outro lado o condicionalismo da nossa natureza na expressão, muitas vezes repetida, “sangue puxa sangue”, como se Maria Velho da Costa nos quisesse apontar uma certa inevitabilidade em tudo o que apresenta. Apesar de nos civilizarmos e desenvolvermos, não largámos aquilo que nos condiciona enquanto humanos e isso cria uma mágoa profunda. Prémios da obra: Prémio Correntes de Escritas, 2008 Prémio P.E.N. Clube Português de Narrativa, 2009 Prémio Máxima de Literatura, 2009 Publicado em https://virtual-illusion.blogspot.pt/...

  5. 5 out of 5

    Ana

    Estreia com as letras desta autora. Adorei a mistura explosiva de elementos diversos, adorei o estilo, as múltiplas referências, mas não abanou o meu lado emocional como tanto queria e desejava. Os ingredientes dramáticos estão lá todinhos, mas não me arrancaram uma lágrima e, para uma Maria Madalena como eu, que verte lágrimas por tudo e por nada, isso diz muito. Opinião completa no meu cantinho (a partir do minuto 02:30): https://www.youtube.com/watch?v=3yW3J... NOTA - 08/10 #portuguêsnofeminino Estreia com as letras desta autora. Adorei a mistura explosiva de elementos diversos, adorei o estilo, as múltiplas referências, mas não abanou o meu lado emocional como tanto queria e desejava. Os ingredientes dramáticos estão lá todinhos, mas não me arrancaram uma lágrima e, para uma Maria Madalena como eu, que verte lágrimas por tudo e por nada, isso diz muito. Opinião completa no meu cantinho (a partir do minuto 02:30): https://www.youtube.com/watch?v=3yW3J... NOTA - 08/10 #portuguêsnofeminino

  6. 4 out of 5

    Eglathren

    Credo. Isto foi qualquer coisa. Tanta miséria e podridão do mundo em tão poucas páginas. Nem sei que classificação hei-de dar. Depois decido.

  7. 4 out of 5

    Andreia Moreira

    Myra arrebatou-me. Agarrou-me firme pelo braço e levou-me para dentro do livro, de onde ainda não consegui sair e já passaram alguns dias, desde que o terminei. Não fosse conveniente falar-vos um pouco mais sobre a dolorosa viagem que fiz com Myra – a admirável imigrante adolescente - e Rambo – o cão “assassino” mais humano que já conheci. – e defini-la-ia numa palavra: HOMBRIDADE. Esta obra que Maria Velho da Costa (1938) nos lega é um tratado à força que um carácter pode encerrar. (Inata. Desme Myra arrebatou-me. Agarrou-me firme pelo braço e levou-me para dentro do livro, de onde ainda não consegui sair e já passaram alguns dias, desde que o terminei. Não fosse conveniente falar-vos um pouco mais sobre a dolorosa viagem que fiz com Myra – a admirável imigrante adolescente - e Rambo – o cão “assassino” mais humano que já conheci. – e defini-la-ia numa palavra: HOMBRIDADE. Esta obra que Maria Velho da Costa (1938) nos lega é um tratado à força que um carácter pode encerrar. (Inata. Desmedida. Invencível.) Àqueles espíritos indomáveis que nos ensinam ser possível não vergar, independentemente das circunstâncias em que nascemos, ou que a vida (o acaso) nos permite. Confrontamo-nos com uma escrita repleta de beleza que vos não consigo transmitir nestas parcas palavras, pelo menos jamais do mesmo modo que a autora o faz: Sublimemente. Não desmotivem ante o léxico, não raras vezes, complexo. Enriquecerão decerto. Ouçam a melodia encantatória dos seus parágrafos, que vos conduzirão docemente na tragédia e dancem a coreografia de um destino inevitável. No decorrer da narrativa do disforme emerge o belo. Da mais desconsolante indiferença o bem-querer. De uma besta pode chegar o amor em estado puro, incondicional. (O raciocínio mais lúcido, até.) Da condenação advir a liberdade. Da fealdade dos homens aproveita a “nossa” menina-mulher a beleza que há na literatura e no saber. Chama carinhosamente Rambô ao cão, aludindo a um escritor que admira (Rimbaud). O assombro é constante enquanto devoramos estas 221 páginas. Acima de tudo trata-se de uma busca pelo sentimento de pertença. Não conseguindo alcançar o que almeja, a heroína prosseguirá sempre, resoluta. Assim se ligou ao pitbull terrier que encontrara ferido numa cabana de praia, após luta de morte vencida, aquando do início da demanda. E assim cruzará o caminho de inúmeras personagens como Dona Mafalda – a rude pintora que a subestima; Frei Bento – o clérigo liberal que lhe oferece uma boleia; Alonso o cego que vê; ou enfim Gabriel Rolando, o mutilado que lhe ensinará que a sua morada pode encontrar-se muito distante do ponto cardeal que perseguia obstinada (Leste), e nessa falar-se língua universal, díspar da que falava sua avó (russo) - único ponto de referência da sua vida feita, até então, de perdas. Diz Myra no princípio de tudo: “A minha vida não é igual às outras, Rambô. Fui proibida de existir. Roubada de poder ser.” Pudera eu dizer-lhe: Enganas-te. Existes deveras e com maior pujança que muitos de nós afortunados desconhecendo a que sabe uma vida vivida com a coluna vertebral incólume. (Publicação do texto originalmente em www.geracao-c.com)

  8. 5 out of 5

    Sofia

    A beleza da escrita da autora em contraste com o grotesco da história de Myra e, por acréscimo, com o retrato triste da nossa sociedade atual. A única razão para não atribuir 5 estrelas prende-se com a continuidade da narrativa. A partir do momento que Myra abandona D. Mafaldinha o "contar a história" perde-se um pouco, ficamos sem saber concretamente o que terá ocorrido, a narrativa dá saltos entre uns e outros (como a própria Myra, afinal), volta a tomar rumo para o perder novamente nos capítu A beleza da escrita da autora em contraste com o grotesco da história de Myra e, por acréscimo, com o retrato triste da nossa sociedade atual. A única razão para não atribuir 5 estrelas prende-se com a continuidade da narrativa. A partir do momento que Myra abandona D. Mafaldinha o "contar a história" perde-se um pouco, ficamos sem saber concretamente o que terá ocorrido, a narrativa dá saltos entre uns e outros (como a própria Myra, afinal), volta a tomar rumo para o perder novamente nos capítulos finais (mas não deixa de ser curioso que a própria vida de Myra tenha encerrado um círculo, como dizem no Brasil "pão de pobre, quando cai no chão, é sempre com a manteiga virada para baixo"). Uma nota final para dizer que gostava de ter metade do dom de escrita da Maria Velho da Costa para escrever opiniões literárias em condições ;)

  9. 4 out of 5

    Rita (the_bookthiefgirl)

    3,5⭐️ “Não é de dor que se enlouquece, é de não querer lembrar a dor.” “Myra” foi, para mim, um livro difícil de categorizar . Tanto me senti enlevada pela narrativa como, por vezes , me sentia a divagar no mesmo parágrafo várias vezes. . . A escrita de Maria Velho da Costa é única , super original e completamente fora dos ditames preconcebidos da literatura . Nota -se nitidamente que não foi um livro escrito para vender .Há uma poesia inerente em cada uma das suas palavras . Tanto estamos a viver a 3,5⭐️ “Não é de dor que se enlouquece, é de não querer lembrar a dor.” “Myra” foi, para mim, um livro difícil de categorizar . Tanto me senti enlevada pela narrativa como, por vezes , me sentia a divagar no mesmo parágrafo várias vezes. . . A escrita de Maria Velho da Costa é única , super original e completamente fora dos ditames preconcebidos da literatura . Nota -se nitidamente que não foi um livro escrito para vender .Há uma poesia inerente em cada uma das suas palavras . Tanto estamos a viver a vida da jovem de leste Myra e o seu cão Rambo, tornado humano para nós , como o leitor se suspende para ouvir a melodia das palavras . . . “Era a música Era a dança Era o nadar debaixo de água no mar, sem cilindros de oxigénio, sem barbatanas. Era a perseguição da felicidade , picada de angústia do mistério e do precário .” . . Este livro parece -me ser daqueles que , quanto mais maduro é o leitor , mais se consegue desfrutar da história . Eu tenho a certeza absoluta que será um livro impactante para algumas pessoas pois o sofrimento , a dor trazem uma nota de angústia ao livro . . . Aliás , foi o próprio final que , por ser tão doloroso, não me fez esquecer do que será , em vários cantos do mundo , o mundo de crianças e jovens abandonados a essas vidas miseráveis . . . Um livro humano e poético , certamente , mas que não é para qualquer leitor .

  10. 5 out of 5

    Ipsis

    Não conhecida nada acerca da autora. Apresenta-nos uma escrita intrincada, por vezes complexa, difícil, o que leva a que a história se torne pouco fluída. Contudo, é uma história engenhosa que nos lembra os adágios de que o que "nasce torto tarde ou nunca se endireita" e "que uma desgraça nunca vem só". De facto a vida não sorri a todos e, alguns de entre nós, nascem e vivem no limbo fino entre a desgraça e o fatalismo. Nenhum dos lados para onde se possa pender é bom! Myra vive uma tragédia desde Não conhecida nada acerca da autora. Apresenta-nos uma escrita intrincada, por vezes complexa, difícil, o que leva a que a história se torne pouco fluída. Contudo, é uma história engenhosa que nos lembra os adágios de que o que "nasce torto tarde ou nunca se endireita" e "que uma desgraça nunca vem só". De facto a vida não sorri a todos e, alguns de entre nós, nascem e vivem no limbo fino entre a desgraça e o fatalismo. Nenhum dos lados para onde se possa pender é bom! Myra vive uma tragédia desde sempre! A sua vida resume-se a um coleccionar de tragédias que não são apenas suas, mas que lhe são importas pelos outros e por essa entidade obscura e cruel chamada destino.

  11. 5 out of 5

    Raquel Pedro

    Um livro incrível, cheio de contrastes, no universo tão próprio da Maria Velho da Costa. Um processo, uma viagem que nos envolve e leva com ela.

  12. 4 out of 5

    Ana Rita

    Li este livro pela primeira vez quando tinha 14. Naquela altura percebi que a história era mais alguma coisa daquilo que eu estava a entender e apartir daí, leio o livro cada vez que fico mais crescidinha, pois acho que é um romance com valores intrínsecos e com uma chocante realidade presente. É um dos meus livros favoritos pois agarrou-me desde o início até ao fim, sempre cheia de curiosidade de saber o que ia acontecer a seguir. Nunca me canos de o ler. Aconselho vivamente!

  13. 5 out of 5

    Ricardo Ribeiro

    "A minha vida não é igual às outras, Rambô. Fui proibida de existir. Fui roubada de poder ser." Myra, e seu cão Rambo, seres despojados de dignidade, a vaguearem pelo país à procura da "ponta do paraíso" que existe "em todas as histórias", "fugaz que seja". Um livro que surpreende, pela forma como é escrito, pelo tom e subtileza com que lança temas e sentimentos, pelas bofetadas que nos dá, porque os preconceitos, a maldade e a injustiça, às vezes, só conseguem ser vividos em fuga. E por mais que "A minha vida não é igual às outras, Rambô. Fui proibida de existir. Fui roubada de poder ser." Myra, e seu cão Rambo, seres despojados de dignidade, a vaguearem pelo país à procura da "ponta do paraíso" que existe "em todas as histórias", "fugaz que seja". Um livro que surpreende, pela forma como é escrito, pelo tom e subtileza com que lança temas e sentimentos, pelas bofetadas que nos dá, porque os preconceitos, a maldade e a injustiça, às vezes, só conseguem ser vividos em fuga. E por mais que nos reinventemos, vamos ser sempre Myra e Rambo. P.S. As pinturas que acompanham o livro (de Ilda David) estão ao nível do livro

  14. 5 out of 5

    Nuno

    Uma escrita que vai até ao osso.

  15. 4 out of 5

    Adriano Godinho

    Personagens interessantes, história um tanto mística, um vocabulário muito interessante (tive de ler este livro com um dicionário sempre por perto), gostei imenso deste livro, fazendo-me lembrar imensas coisas e ter a sensação de estar a ler um livro que poderá estar na minha lista das melhores livros de há alguns anos. leiam.

  16. 4 out of 5

    Jorge Mendonça

    Um livro de contrastes, que descreve as pessoas e as relações de forma crua. Sem palavras a mais, apenas as necessárias e que nos prende de forma abrupta. É ao mesmo tempo soco no estômago e alívio depois do soco. Um livro muito humano por mostrar vidas (ainda que ficcionadas tão reais) sem filtros.

  17. 5 out of 5

    Juliana Senra

    Há sempre mais maus que os maus

  18. 5 out of 5

    Anabela De Sousa Azevedo

    Myra agarra-nos na mão e caminha ao lado de Rambo em direção ao futuro, através de um presente duro, incerto e, por vezes, incrível.

  19. 5 out of 5

    Cátia Vieira

    Foi o meu primeiro livro desta escritora e foi uma experiência estranha. Apesar de lhe reconhecer imensa qualidade, fui incapaz de me conectar com a narrativa e as suas personagens. Adorei a linguagem (ora simples, ora erudita) e a forma abrupta como as emoções e os pensamentos das personagens nos são oferecidos. Ademais, gostei imenso como Maria Velho Da Costa escreveu a relação lindíssima entre Myra e o seu pitbull, Rimbaud. Repleta de humor foi também a ligação existente entre o cão e uma gat Foi o meu primeiro livro desta escritora e foi uma experiência estranha. Apesar de lhe reconhecer imensa qualidade, fui incapaz de me conectar com a narrativa e as suas personagens. Adorei a linguagem (ora simples, ora erudita) e a forma abrupta como as emoções e os pensamentos das personagens nos são oferecidos. Ademais, gostei imenso como Maria Velho Da Costa escreveu a relação lindíssima entre Myra e o seu pitbull, Rimbaud. Repleta de humor foi também a ligação existente entre o cão e uma gata. Apesar de tudo, senti-me sempre distante do enredo e lamentei-o, porque é um romance com muita qualidade. Por isso, recomendo-o a todos. Um livro formidável da literatura portuguesa contemporânea.

  20. 4 out of 5

    Rita Moura de Oliveira

    Num livro que mistura a atualidade mais terrível possível (carjacking, imigração de Leste, cães de morte) com o Alentejo e o Algarve mais profundos, conhecemos Myra, uma adolescente russa fugida de casa na Caparica que se torna companheira inseparável de Rambo/Rambô/Rimbaud, um cão de luta que encontra ferido na praia. A história violenta de uma amizade mais forte do que muitos amores. Um livro com uma linguagem por vezes difícil, mas com um ritmo que mal nos deixa respirar.

  21. 4 out of 5

    Fernando

    Very well written with crafty and strong language, the lack of structure is compensated with a strange poetical world and some strong cultural references. Haunting the book is the evilness of mankind.

  22. 4 out of 5

    Rute

    «O desespero é uma coisa tranquila.» (p. 197)

  23. 5 out of 5

    Ju Ricardo

    A travel deep into the Portuguese language (even for a native). A tough adventure, that gets us out of the comfort of our reading zone. A beautifully sad tale.

  24. 5 out of 5

    Maria

    Um livro absolutamente afiado e, não obstante, sempre belo na sua ternura, sempre feroz na sua crueldade.

  25. 4 out of 5

    Gaio

    Wondeful literary work. Fantastic and lovely

  26. 5 out of 5

    Varela

  27. 4 out of 5

    Isabel

  28. 5 out of 5

    Salamandrine

  29. 4 out of 5

    Miguel

  30. 4 out of 5

    Bea Galvão

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